sexta-feira, julho 11, 2008

Abismo


Do alto do meu ser, observo a profunda imensidão do Abismo sempre tão presente entre nós.

Abismo existente desde o extremo da fina linha dos teus lábios, quando de encontro aos meus, eternizam os momentos até que se toquem;

Abismo existente entre a ponta de cada um dos meus dedos, quando numa incansável procura pelos teus, repetem gestos mecanizados de encontro às teclas em textos que falam de Ti e sempre tão de Ti em mim;

Abismo existente entre as linhas dos meus textos, no fôlego tomado entre o final de cada linha e o início da próxima, numa cadência compassada ao ritmo das batidas que gerem o fluxo de mim para ti, num vai e vem contínuo de sentires e quereres;

Abismo existente entre cada ponto do mostrador do relógio, quando conto os momentos que faltam para o nosso reencontro e o caminho a percorrer pelo ponteiro aumenta por entre os seus avanços através do espaço interior da redoma de vidro que o (te) protege em toda a sua extensão;

Abismo existente na pausa entre cada uma das palavras vertidas de ti directamente para o mais fundo de mim, proferidas dos teus lábios em movimentos contínuos, nos ventos dos tempos infindos, que não param, que nunca param, de me chamar a ti e em ti para eles;

Abismo existente em todo o tempo que deambulando como dois seres autónomos pela vida, não somos nós, num único existente, de apenas um feitos, materializados em dois corpos distintos, de esperanças pequenas e quereres simples;

Há um Abismo imenso sempre tão presente entre nós,
E eu,
De braços abertos e peito a descoberto,
Vou-me atirar!

Encontramo-nos na penumbra...

11 comentários:

. R disse...

Deixa-te cair!

Trapezista disse...

Simplesmente... Magnífico!

Beijo meu, neste embalo de sentires teus

Trapezista

Reticências disse...

Gostei muito.

Só quando nos atiramos o abismo deixa de existir sob essa forma, não é?

Força.

: ) beijinho

Baraújo disse...

altoooo!

eu adorei tudo o que escreveste... mas... em vez de te atirares para o abismo... porque nao criares uma ponte. um balao, pegares na boleia de uma nuvem, ou num papagaio de papel, voares num tapete voador ou numa bola de sabao para transpor esse abismo...

qual saltar ;)

aquele enorme abraço.
Adorei

diana disse...

Por vezes o abismo não é assim um abismo tão grande. Podemos sempre aprender a voar, construir pontes ou encontrar outro caminho.

Paula disse...

A existência parece ser mesmo um abismo total e nós fazendo sempre uma tentativa na "corda-bamba" para não cair nele!

Gostei!

Abraço

Reticências disse...

Brain,

desta vez voltei para te dizer que me sinto muito mimada pelos teus comentários lá no meu Lugar ao Fundo.

Eu que adoro ler-te, o Taradisses foi por sinal um dos primeiros blogs em que me viciei…

Eu que adoro as surpresas do teu infindável talento…

Só posso ficar muito contente. E deixar-te um sorriso e um beijo enorme.

: )

Azul disse...

Dear Brain,

Não creio que seja necessário dizer que já li e reli imensas vezes este teu escrito! Assim, como todos os outros que sábiamente escreves.

O meu primeiro pensamento é: Porquê?! Como?! Se cria esse abismo? Como e porque permitimos que ele aconteça?! Será?! Será que só nos damos conta dele quando ele está criado e nos apercebemos que nada fizemos para o evitar? Será? Será que fizemos tudo para o evitar e mesmo assim não foi possível?!

Será que a solução é nos atirarmos?! Será que a solução não poderá antes ser, fazer algo que nos aproxime de novo, criar mesmo que lentamente uma ponte que nos leve ao outro lado?! mesmo não sabendo se do outro lado nos esperam ou mesmo se querem construir connosco essa ponte que nos leve ao encontro do outro?!

Perguntas a mais?!
é possível!!!

Se saltares... que encontres o que desejas.

Beijo meu
Azul

nuvem disse...

Muito bonito este post. Muito profundo, como o próprio abismo.

Beijos

Twlwyth disse...

Gostei de reflectir ao longo deste Abismo. Não me parece um abismo comum que nos transporta para o isolamento do Ser. Parece-me antes uma atitude perante um futuro sempre incerto, uma atitude corajosa perante a penumbra.
Muito Bom!

Beijo

Papoila disse...

Bonita esta tua forma de expressares o"vai vem contínuo de sentires e quereres".... é ela que nos prende a leitura.

Um beijo
BF