segunda-feira, julho 03, 2006

Altruísmo

Podemos nós ser felizes
pela simples e humilde
dedicação ao nosso semelhante?

Podemos nós ser felizes quando,
nessa dedicação,
nos despimos do nosso próprio interesse
e mesmo do instinto de
pensarmos sempre primeiro na nossa pessoa?

Podemos nós ser felizes,
assim “rendidos” a outro,
canalizando todos os nossos esforços
no contributo à outra felicidade?

E onde fica o EU, então?

… talvez,
num olhar e num sorriso de alegria,
na contemplação do bem estar
daquele(s) que dão ao EU
o privilégio
de ser um ponto de referência,
de apoio,
de sustento.

A dádiva de dar sem esperar receber.

(Andarilhus)

15 comentários:

Brain disse...

Andarilhus,

Fantástico este teu pensamento!

Sem dúvida, algo "entendido" por muito poucos e algo difícil de encontrar.

Algo que, tenho alguma "dificuldade" em fazer entender aquela por quem, eu nutro este tipo de sentimento.

Um abraço e uma boa semana.
Para ti e para todos!

papoila disse...

oi boa tarde.

lá vou eu destoar... mas este tipo de "altruísmo" não encaixa em mim...

isto pode resultar por algum tempo, mas se deixarmos os nossos interesses em prol de outra pessoa acabamos por nos anular.

para ajudar o outro, para conseguirmos fazer o outro feliz temos que estar bem connosco e isso só se consegue se continuares a ser um pessoa individidual, em que um dos seus interesses é partilhar a vida com alguém e ser feliz com esse alguém.

acho que só assim funciona.

papoila disse...

gostava de estar nessa fase andarilhus. com essa força toda, capaz de mover o mundo... aproveita ao máximo para fazeres tudo o que queres e tudo aquilo que ainda não fizeste.

lembra-te apenas que as pessoas não estão todas nessa fase. há pessoas que já passaram por ela e com o tempo a força que faz o impossovel acontecer perde-se em desiluções que vamos tendo.

tem calma. o necessário é acertar os ritmos. por vezes há que desacelerar uns e acelerar outros.

entendo-te/vos plenamente.
lembra-te, acertar ritmos...
perdi a MINHA pessoa por casa de ritmos diferentes.

Flôr disse...

Boa tarde,
Andarilhus,terá encaixe no meu monólogo?
Hoje não concordo,nem discordo!
Hoje não estou cá.

Andarilhus disse...

Como o Brain disse, isto é algo sobre o qual é difícil fazer-nos compreender (isto não significa qualquer forma de “superioridade” encapotada!).
Papoila, isto não é uma “fase”, é uma constante. É uma forma de estar. Já o fui, sou e, com maior ou menor intensidade, serei. É complicada porque muitas vezes, de facto não nos entendem e porque pode ser perniciosa em momentos em que não é possível ser como somos.
Eu sei que é delicado levar estas cartas a jogo, sobretudo quando pretendemos jogar com quem tem uma perspectiva mais pragmática e individualista da vida. É um risco, mas está na nossa (minha) essência. Tenho tentado mudar (como se subentende no galga¬¬_courelas) porque sei que quando não resulta, fica um vazio inqualificável. Mas, na verdade, não quero mudar…
Os ritmos acertam-se com a compreensão.
Não se trata de perdermos a nossa pessoa; trata-se de lhe acrescentarmos outra à sua dimensão. Não se trata de sermos servos; trata-se de sermos menos egoístas. Trata-se de fazer um esforço adicional; trata-se de ser menos intransigente. Trata-se, sobretudo de tentar – volto a repetir – compreender o outro e as suas necessidades. E, se podemos fazer o outro feliz, mesmo prescindindo de algumas coisas, que até se pensarmos bem, são acessórias, porque não fazê-lo?
Eu sinto-me bem comigo mesmo quando consigo alcançar as condições de levar a cabo esta praxis: é como ter uma missão, uma finalidade. Só assim as coisas fazem sentido.
É evidente que nem tudo depende de nós. E se verificamos que não conseguimos fazer o(s) outro(s) felizes, então é altura de repensar a situação e mudar de rumo… como também o sei bem.
Flor, provavelmente o teu monólogo é de lavor tão intenso e tão difícil de explicar como este assunto… será?

Flôr disse...

Amigos,
Quando se muda muito de nós,o sabor a cada momento,é energético e de incentivo!Mas,será sempre mais fácil,uma mudança sustentada.
Sustentada noutra vida,noutro amor,noutra postura.
Tenho muitas razões para ser e estar Feliz,mas a minha consciência tem-me chamado à razão.Razão?Talvez à reflexão e momentos de frieza,que outrora talvez faltassem.
A caminhada foi longa e dura,e o retrocesso parece-me impossível.
Dou comigo em dilemas,em momentos tristes.Procuro "cor",em todas as coisas,e eu já não tenho tanto entusiasmo.Apresento-me um pouco cansada,revoltada até.
De que me vale ,tanta abertura,sentimento,passos pensados?
Tinha tanto em mim e não soube usar!E agora,onde cheguei?
Ao ser independente e só?
A quem perde a vontade de falar porque parece que ninguém entende?Ao silêncio, como acompanhante?
Estou transformada numa "malha",onde muitos fios se cruzam.
E dou comigo,fraca!
Já me estraguei tanto!Não soube levantar-me só.Precisei de um "amor" para ter força.Precisei das sms,para ter alguém do outro lado.Criei um mundo de presenças,constituído por desconhecidos e ausentes.
E onde fui...cair na minha realidade!Não sou assim,não gosto de "brincar"à Vida.
Perdi-me nas horas,nas pessoas,e em mim.
Mas,tudo passa!Isto passou!
E quase um ano depois,sinto-me só!
Tenho-vos para falar,mas por vezes nos horários mortos,lembro-me de "passos" que hoje não os daria!
Desculpem,sou eu ,porquê massacrar-vos com isto?
Estou a tentar dar a volta sozinha.Já pensei voltar à psicologa,falar com a minha irmã..enfim partilhar...
Porém,acho que ninguém entende!
Ando perdida dentro de mim.

Andarilhus disse...

Flor: Não sei se entendo ou se tenho essa presunção. O que me parece é que pelo menos já chegaste a um ponto de paragem, onde procuras pensar com mais clareza, na tua vida. Agora tudo é possível... começa das coisas simples (das quais já falamos uma vez) e vai completando o teu mundo ao teu ritmo e gosto. Talvez já tenhas alcançado o mais difícil. Continua...

Flôr disse...

Sabes Andarilhus,a questão se estarguei a minha vida?
Tenho um péssimo "feitio"!Funciono bem sobre pressões,sou forte!Quando entro em águas tranquilias,anseio os "rápidos"!
Espírito do caraças!
Tem sido um desafio,ensinar um "terceiro", a saber disfrutar da paz!Isso desgasta-me um pouco.
E quando me disseste parecer algém sensível,chocou-me!
Nunca conheci esse lado, e se o reconheço agora,é com dor!Sabes porquê?Deve ser "violento",revelar a sensibilidade,após profunda solidão.
Eu bato na tecla da amizade,"outros",na do "Amor".

papoila disse...

"Os ritmos acertam-se com a compreensão.": concordo a 100%. foi isto que me/nos faltou...


"Não se trata de sermos servos; trata-se de sermos menos egoístas. Trata-se de fazer um esforço adicional; trata-se de ser menos intransigente. Trata-se, sobretudo de tentar – volto a repetir – compreender o outro e as suas necessidades. E, se podemos fazer o outro feliz, mesmo prescindindo de algumas coisas, que até se pensarmos bem, são acessórias, porque não fazê-lo?"
com estas palavras concordo tb, mas não foi isto que eu percebi no post. achei o post mais extremista.

se és assim andarilhus não tens que mudar, apenas mais compreensão relativamente às pessoas que são mais pragmáticas.

quando falava de fases, referia-me à força que demonstras nos teus comentários e posts. Posso estar errada, mas parece que estás com desejo de compensar tudo o que não resultou até agora, de compensar anos passados. Essa força é ÓPTIMA!!! é muito bom sentir-se assim. eu já me senti. o que eu queria dizer é que por vezes, quem está do outro lado, pode não estar com essas força incondicional e estar mais avesso ao risco. é destes ritmos e fases que eu falava. fases normais que todos passam, só que, infelizmente/felizmente, nem sempre ao mesmo tempo.

beijos

Flôr disse...

Desculpem:
"tranquilas", "alguém".
Restantes amigos,foi um pequeno prolongamento de conversa tida com Andarilhus,entendam!
bjs para todos

papoila disse...

tenho que me ir embora. amanhã falamos, flor!

Andarilhus disse...

Flor: foi assim que o vi! Não conheço outras "personalidades". As pessoas aprendem com as experiências. É tolo quem não retira ensinamentos do passado. A solidão pode ser uma boa ou uma má conselheira. Depende da força que lhe concedemos imprimir nas nossas decisões.
Papoila: compensar, não quero compensar. Quero, se tiver forças para isso, fazer de outra forma. Tentar manter o fiel da harmonia suspenso na aprendizagem e dedicação.
O impulso para receber um transvaze de outro ser e acolhê-lo na minha corrente é suficiente para reduzir o mau caudal e dar-lhe espaço. Espero assim continuar.
bjs

Brain disse...

A todos,

Porque ando um pouco num período de introspecção, tenho estado um pouco ausente nos posts e comentários.
No entanto, estou sempre por cá, vou-vos vendo e analisando e vou postando coisas que julgo estarem na "senda".

Andarilhus,
Tens sido um bom apoio na "manutenção" do espaço, pelo que te agradeço.

papoila disse...

oi bom dia.

isto de não se falar pessoalmente tb tem os seus "quês". Eu percebo-te andarilhus e o meu "compensar" aproxima-se do que tu disseste.

Flôr? Como estás? Putty? Arcoiris?
Eu hoje estou a seguir conselhos de amiga: "não pensar" naquilo em que não devemos.

lema de hoje: pensar apenas em coisas boas. afinal não tenho razão nenhuma para me sentir menos bem...

Flôr disse...

Bom dia!
Estou triste!
Escrevi "n",uma conversa convosco...e foi tudo ao ar :)))