quinta-feira, julho 02, 2009

Texto para uma imagem

Curtas 9 - Desde sempre


Desde sempre soube que um dia serias meu.
Desde a nossa infância, sempre senti isso, no mais fundo de mim sem nunca to ter dito, porque isso, para mim, era uma certeza.

Eu fui acompanhando o teu crescimento, fui acompanhando os teus casos, os teus sucessos, os teus fracassos, sempre com essa convicção, de que um dia serias meu.

E em cada volta, com o fracasso de mais um caso, eu pensava: “será agora?” Mas não! O agora teimou em tardar e o tempo foi passando.
Passando tanto que, de repente dei por mim a pensar que, o tempo havia passado e que a nossa oportunidade se havia perdido, algures, nos meandros das nossas vidas.

Lembrando-nos, lembro-me das noites que dormimos lado a lado, das nossas conversas, dos nossos afagos e penso… penso que nunca me terás visto como a mulher que sempre fui, cujos poros pulsavam por ti, cujo corpo te esperava no silêncio do desejo.

Agora pedes-me… Agora dizes-me… Que me queres… Que concluiste que sempre tiveras a teu lado a pessoa certa mas que nunca me viste…

Não sei como devo interpretar isto mas… também não quero!
Quero-te como sempre e desde sempre e por isso, não vou perder tempo a filosofar.

Vou abraçar-te, dizer-te, mostrar-te o quanto desde criança eu te quero e te desejo, fazer-te ver finalmente, porque nunca conseguiste uma relação com outro alguém, pois estavas predestinado para mim.

Sabes, hoje, à distância de todos estes anos, ainda nos consigo ver… no leito das nossas sestas, no qual quero, contigo ficar… Sempre!

Amo-te!

terça-feira, junho 16, 2009



Cheguei para sempre a este lugar que és Tu.

Descreve-me agora
Como se eu fosse possível de existir sem ti

Porque eu já não sei falar-me,
Sem dizer-Te.


segunda-feira, junho 08, 2009

"Desafio"

A Nuvem (do blog A minha Nuvem) a propósito do tamanho dos meus textos (a que chamamos de lençóis) vs. os dela (que por comparação, passamos a chamar de "fronhas de almofada"), um dia escreveu-me isto:

"Brain, um dia desafio-te a escrever uma "fronha de almofada" das minhas, e eu prometo tentar escrever um "lençol" dos teus :) Beijinhos”

Daí "nasceu(-me)" a ideia de cada um, a partir de uma imagem utilizada num texto do outro, fazer "a sua versão", sendo que eu teria de escrever uma "fronha" e ela um "lençol".

O acordado foi que aqui eu colocaria o texto dela, seguido do meu texto.
E no "A Minha Nuvem" ela faria o mesmo.

Aqui ficam então eles:


NO SILÊNCIO DO TEU TOQUE (por Nuvem)

Quero-te.

E é no silêncio do teu toque
que te digo que sou tua.

Digo-to com os meus olhos
rasgando o mar dos teus olhos,
e os meus lábios, segredando
as marés dos teus cabelos
que ondulam nas minhas mãos.

Digo-to sem falar,
porque entre as nossas bocas
as palavras já não têm espaço...

Digo-to com a minha pele
respirando ávida nos teus dedos,
como se fosse morrer no segundo
em que deixasses de lhe tocar.

Sinto-te como o vento,
percorrendo cada recanto meu
como se sempre tivesse sido a sua casa,
como se me conhecesse
mesmo antes de eu saber que existia.

Houve um dia em que eu não era tua.
E tu também não eras meu.

Um dia em que vento e mar
eram só palavras vazias para mim.
Um dia em que o mar e o vento
não me conheciam.

Um dia em que os meus olhos
não sabiam navegar,
e os meus lábios padeciam de sede
sem saber...

Um dia em que o meu corpo
não tinha janelas.

Sim, houve um dia,
um dia muito distante,
um dia que já não sei lembrar,
em que eu não sabia que tu eras vida
e mar e vento e tudo o que há.

Hoje só sei ser tua.
(Como a espuma pertence ao mar,
como as janelas se abrem ao vento.)

Só sei querer-te.
(Como o coração quer a vida
que pulsa a cada segundo dentro dele.)

E digo-to no silêncio do teu toque,
sempre que os meus olhos
são os teus olhos e os meus lábios
são segredos que se perdem
nos teus cabelos,
que se perdem nas minhas mãos...


DESAFIA-ME (por Brain em 2007.04.30)

Desafia-me!
Tira-me do sério,
Obriga-me a uma loucura,
Leva-me a uma superação de ser.

Espicaça-me!
Vira-me do avesso,
Arrepia-me os sentidos,
Revela-me as entranhas.

Tenta-me!
Faz dos teus lençóis o meu chão,
Do teu corpo o meu alimento,
Do teu suor a minha água.

Surpreende-me!
Leva-me por um caminho sem rumo,
Tira-me as direcções,
Atira-me ao ar sem rede,
Obriga-me a cair de pé.

Desafia-me,
…a mente!

Espicaça-me,
…os sentidos!

Tenta-me,
…a pele!

Surpreende-me,
…os sentimentos!

(Tira-me desta letargia!!!)


(Resta-me agradecer-te Nuvem o carinho da partilha. Do fundo de mim, um Beijo meu)

quarta-feira, maio 27, 2009

Finalmente a noite


Abri os braços.
De mãos abertas estendi-te os dedos e como quem se despe por dentro disse-te que entrasses.
Entrasses tão cheia desses teus nadas que te prendem aos dias.
Que viesses com tudo isso que de ti te faz.

E em segredo, disse-te que ficasses.
Que nada precisavas fazer ou sequer falar.
Que te bastava apenas isso: ficar.

E tu vieste.
Tu vieste e sem que eu o soubesse, trouxeste contigo, materializado na ponta dos teus dedos o meu desejo.
Foste a pouco e pouco, com os teus sons e odores preenchendo espaços de mim.
Espalhaste as tuas raízes pelos meus sentires e tornaste-te Tu em Mim.

E eu assisti.
Eu assisti à tua lenta mas progressiva e decidida ocupação.
Eu assisti e fui-te abrindo frestas. Indicando-te caminhos escondidos e escorrendo-te em mim.
E letra a letra, fui gravando o teu nome dentro da pele para que não o pudesses ver.
E com isso, sonhei que para sempre ficarias em mim.
Sonhei que para sempre me acompanharias no meu percurso até ao infinito.
Que para sempre serias sede e água. Serias fome e alimento.
Serias mais tu em mim do que eu, por eu ser mais tu em ti do que tu.

E por fim aprendi.
Aprendi que para sempre é muito tempo.
Que para sempre não existe, tal como não existiam espaços vazios na tua imensidão para me gravares em ti, sequer por dentro das linhas da tua mão.
E dou por mim a desejar que me tivesses levado contigo, agarrado ao silêncio da tua voz, nas voltas sem dormir de tanto me quereres abraçar dentro desse teu refúgio (secreto).

E tu sempre foste segredo.
Tu sempre foste frio na noite e medo no escuro. Palpites de incerteza no meio da estrada.
Esperança de alguém te encontrar, sem contudo com ninguém quereres ficar.
E agarrando-te à tua desculpa das tuas mãos vazias, nada nunca de ti deste (para que não te conhecessem), mesmo quando fixavas o teu olhar no meu ficavas sempre longe de nós, dentro de um lugar desejado para lá do teu disfarce.

E no repente da memória do momento de um Beijo,
O toque ao de leve do fundo de uma saudade,
Quando olhando-me em silêncio no fundo dos olhos
Me encheste a alma com palavras de Ti,
Presenteando-me a existência com o teu ser,
Que de tão de mim feito existiu,
Que nos teus olhos se reflectiu,
E me fez assim, acontecer.

Hoje, procuro no infinito um sinal de ti.
Procuro no silêncio do horizonte um sinal teu de vida em mim.
Tento sentir na brisa um sussurro do teu peito enviado em direcção ao meu.
Tento sentir dentro de mim uma réstia de calor teu: em palavras que ficaram por dizer; no segredo húmido dos meus olhos.

Mas hoje não te encontro.
Já não te encontro.

E é quando então,
Finalmente,
A noite acontece.

quarta-feira, maio 06, 2009

Sabes


Sabes que o olhar me diz muito.
Sabes disso e sempre fizeste questão em me desafiar com o teu.

Sabes que os odores mexem sempre comigo.
Sabes disso e sempre fizeste questão em deixar os teus impregnados em mim.

Sabes que o toque me faz vibrar.
Sabes disso e sempre me cravaste as unhas, quando a dois éramos um.

Sabes que os sons me dizem muito.
Sabes disso e sempre tiveste o cuidado de me deixares os teus, bem perto dos meus ouvidos.

Sabes que há imagens que me perseguem.
Sabes disso e sempre fizeste questão de mas querer mostrar.

Sabes que nunca tive uma imagem límpida de mim mesmo.
Sabes disso e sempre fizeste questão em me manter no turvo do meu ser.

Sabes que o silêncio sempre foi meu inimigo.
Sabes disso e sempre fizeste questão em me ferires com o teu, sempre que me querias atingir.

Sabes que a distância física a mim não me importa, desde que não te sinta distante.
Sabes disso e tantas vezes juntaste uma à outra, para me atirares para dentro de mim.

Sabes tantas coisas sobre mim…
Ao ponto...
...de não me conheceres!

sexta-feira, abril 17, 2009

Lançamento de novo livro



No próximo dia 25, pelas 22:00 no Bela Cruz - Porto, terá lugar o espectáculo "Palavras do Fogo", que servirá de base ao lançamento do meu novo livro "Palavras de Mim", junto com o "Oráculo de Fogo" do autor Jorge Pópulo.

O espectáculo contará com a participação musical da Sónia Amaral (voz), Ana Rita (voz), Rita Campos (Harpa), Pedro Lopes (Piano) e Teresa Pereira (Violino).

Aqui fica o convite para todos os que possam e queiram participar.


Informo ainda, que no dia seguinte (dia 26) pelas 16:00, ocorrerá na loja PortoSigns (na ribeira do Porto - Rua da Alfândega, 17) uma sessão de apresentação dos mesmos livros, para a qual deixo igualmente o convite.


A todos quantos queiram e possam participar, SINTAM-SE desde já CONVIDADOS!

E... até dia 25!
...ou 26!

quinta-feira, abril 09, 2009

Em ContraMão


...e de repente surge o desvio.
...e de repente, o entroncamento, a bifurcação, o escuro, um encandeamento de luzes e quando damos por nós, estamos em contramão.

O sentido proibido já ficou lá atrás, mas nós continuamos.
Porque há um gozo. Um gozo intrínseco. Um inexplicável gozo, que faz correcto o incorrecto, que nos faz pulsar as veias, que nos dá um (novo) (in)sentido de vida.

E por isso, prosseguimos.

E não são os sinais dos outros, que aflitos nos tentam fazer ver o (in)correcto.
E não são os sinais que só vemos pelas costas, ou sequer as setas na estrada que apontam para nós.
E não é o avançar dos outros num sentido oposto ao nosso.

Somos nós!
Somos nós que empurramos o mundo para (trás) a frente, numa vontade própria e única, que reforça essa capacidade a cada kilómetro, a cada metro, a cada centímetro percorridos.
Somos nós!

E o mundo não é que está correcto.
Somos nós!

E as convenções... de repente mudam.

E de repente, olhamos o retrovisor e vemos que estamos a ser seguidos.
E já não é pela autoridade repreendedora; mas por outros.
Tantos outros iguais a nós, que entretanto inverteram também a marcha e que seguindo-nos de perto, fazem-nos líderes de um movimento que é apenas nosso. Que não quisemos partilhar sequer, mas que agora foi também apessoado por terceiros.

Não somos líderes mas lideramos.
Não os outros.
Mas a nós próprios.
Cada um líder de si mesmo, na força que o intento lhe confere.
No pulsar das veias.
No querer.

E no caminho crescemos.
E no caminho fazemo-nos. MAIORES.

E de repente… o caminho é o nosso.
E de repente… já não há ninguém em contramão da nossa marcha.
E de repente… o mundo.
E de repente… nós.

Paramos.
Chegamos ao nosso (desconhecido) destino.
Estamos parados na faixa contrária.
Estamos virados no sentido oposto.
Mas CHEGAMOS!

E saímos.
E batemos a porta com o orgulho do sentimento do dever cumprido.
Enchemos o peito e respiramos fundo, sabendo que a nossa satisfação reside no facto, não de termos percorrido todo o caminho, mas sim, de o termos feito NOSSO!

Fizemos o caminho à nossa imagem. Ao nosso pulsar.
De trás para a frente ou da frente para trás?
Não sabemos.

Mas também…
…não interessa!

É NOSSO!