quarta-feira, março 14, 2007

DÁ-TE

Dá-me o teu presente e o teu futuro,
Não quero saber do teu passado.

Dá-me os teus pensamentos de agora,
Dá-me os teus desejos para o futuro.

Fala-me!

Fala-me,
Sobre os lugares que queres visitar,
As praias onde te queres deitar,
As águas em que queres mergulhar,
As flores que queres cheirar,
As comidas que queres saborear,
Os lugares que queres visitar,
As danças que queres dançar,
As crianças que queres abraçar,
Os assuntos sobre os quais queres falar,
Os projectos que queres realizar,
As coisas que queres amar,
Tudo o que achas que vais gostar.

As músicas que queres ouvir,
Os sentimentos que queres sentir,
As montanhas a que queres subir,
As paisagens nas quais te queres fundir,
As multidões nas quais queres fluir,

Os livros que queres ler,
As pessoas que queres ver,
Os caminhos que queres percorrer,
Os calores que queres ter,
A vida que queres viver.

Fala-me do presente e do futuro.

Não quero o teu passado,
Os teus medos,
As tuas fugas,
As tuas histórias,
As noites mal dormidas,
As culpas não assumidas,
As frustrações sentidas,
Os corações despedaçados,
O mal que te fizeram,
O ódio que sentiste,
O amor que renegaste,
O sol que apagaste,
O tanto que pensaste,
O tudo a que te alheaste,
A vida que não viveste.

Porque hoje…
Hoje a vida começa de novo,
Connosco,
Aqui.

E a partir de hoje,
Não há passado,
Nem presente,
Apenas o futuro.

Eu,
Que o teu passado não conheço,
Quero poder oferecer-te,
Tudo o que guardas de desejos dentro de ti,
Tudo o que precisas,
Para viver bem contigo mesma,
E que nunca tiveste.

Quero poder oferecer-te,
Aquele lugar de paz interior,
Que te reconforta e te dá calor,
Que te abriga das tempestades da vida,
Onde te sintas sempre querida,
Que te dê a certeza de que,
A vida é boa,
E que será sempre boa,
Enquanto partilhada,
Com quem te mereça,
E nunca te esqueça.

Por isso,
O teu passado não me interessa,
A menos que…
Seja uma forte condicionante,
Do teu futuro feliz.

E não é sempre assim?
Não somos nós uma história viva,
De toda a nossa vivência passada?

Então…
Diz-me tudo sobre ti,
Dá-te a conhecer a mim,
Abre o teu livro,
O teu peito,
Dá-me a conhecer o teu coração,
Todos os medos,
Todos os sentimentos,
Todos os teus desejos,
Para que eu possa procurar,
Aquele lugar especial,
Sem medos e sem sombras,
Onde bem te hás-de sempre sentir,
Onde apenas conseguirás sorrir,
E onde sempre me encontrarás,
Com os braços abertos e prontos,
Para te segurar,
Te aconchegar,
Te fazer sentir,
O quão possível e bom é…

Viver em pleno,
E sempre a sorrir!

DÁ-TE!

terça-feira, março 13, 2007

Para lá de Mim

O que existe para lá do que o meu olhar alcança?
O que existe para lá do que os meus dedos sentem?
O que existe para lá do que o meu olfacto absorve?
O que existe para lá do que o meu gosto saboreia?
O que existe para lá do que os ouvidos captam?
Eu não sei,
Mas…
Sinto falta de o saber…

Será que para lá do que o meu olhar alcança,
Existem pessoas que me esperam?
Me olham através de um qualquer tipo de olho mágico
E no segredo do seu íntimo, esperam pela minha presença?

Será que para lá do que os meus dedos sentem,
Existem milhares de sensações para sentir,
Para sentir na partilha com outros,
Cujas peles têm uma textura única,
Impossível de obter ao toque de qualquer outra coisa?

Será que para lá do que o meu olfacto absorve,
Existem mil e um aromas por experimentar,
Geradores de sensações desconhecidas,
Capazes até de mudar a minha concepção,
Do que é de facto bom e cheira bem?

Será que para lá do que o meu gosto saboreia,
Existe um mundo de outros sabores,
Agradáveis, viciantes,
Maus, repugnantes,
Mas diferentes, capazes até de mudar o meu gostar?

Será que para lá do que os meus ouvidos ouvem,
Existem outros sons, noutros tons noutras frequências,
Capazes de estabelecer um novo conceito
De composição sonora,
Capazes de estabelecer por si,
Um novo conceito de música?

Tudo isto,
Eu não sei,
Mas…
Sinto falta de o saber…

Porque eu não sei o que fica para lá do fim
Das imagens que os meus olhos vêm,

Porque eu não sei o que fica para lá do toque
Que os meus dedos conseguem fazer,

Porque eu não sei o que está para lá do que
Cheiro, saboreio e ouço,

Eu continuo…
Eu prossigo nesta demanda pelo conhecimento,
De tudo aquilo que não sei,
De tudo aquilo que não alcanço,
De tudo aquilo que fica,
Para lá de mim!

E porque nem sempre,
O que não alcançamos está longe,
Eu olho para cada um dos que comigo se cruzam,
Como um universo.
Um universo por explorar,
Com milhares de possibilidades,
Em que tudo pode ser novo,
Em que tudo pode ser gratificante,
Em que à partida,
Tudo pode valer a pena.

Muitos são os que não ficam
Tempo suficiente para que eu os “veja”.

Muitos são os que não querem
Que o seu mundo seja desvendado
E por isso não se abrem,
(ou pelo menos assim o pensam)
Para que eu possa lá entrar,
E vislumbrar o seu interior.

Mas,
Muitos também são aqueles que,
Mesmo sem o seu consentimento explícito,
Através da sua não recusa,
Dentro do seu silêncio,
Com o seu olhar,
Transmitem imagens, sons,
Melodias, sabores e texturas,
Que nunca pensei existirem,
Que nunca pensei receber,
De outro ser humano.

E com isto,
Com a revelação do eu de cada um de nós,
Faz-se a partilha,
Verdadeira dádiva ao próximo,
Daquilo que,
Na sua essência,
É o mais puro que podemos oferecer a alguém:
O nosso maior e melhor,
Sentimento de Amizade.

E por isso…
Eu continuo…
Eu prossigo nesta demanda pelo conhecimento,
De tudo aquilo que não sei,
De tudo aquilo que não alcanço,
De tudo aquilo que fica,
Para lá de mim!

quinta-feira, março 08, 2007

Dia Internacional da Mulher

Porque hoje é o dia Internacional da Mulher,
Porque é na mulher, no seu corpo, que a vida começa,
Porque a mulher é um ser admirável,
Porque a mulher consegue chorar até de felicidade,
Porque a mulher…

Porque hoje é o dia Internacional da Mulher,
Porque não é preciso nenhum dia em específico,
Por tudo e por nada,
A todas as mulheres,
Os meus sinceros e sentidos:

PARABÉNS!!!!


“Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversário ou um novo casamento.“

(Pablo Neruda)

Beijo a todas!

quarta-feira, março 07, 2007

1 Ano

1 Ano,
1 Mulher,
1 Esposa,
1 Mãe.

1 Ano se passou.

1 Ano se passou,
Desde aquela madrugada,
Em que o toque do telefone,
Rasgou a noite,
E nos trouxe,
A última notícia,
Da sua existência.

1 Ano se passou.

1 Ano de saudade,
1 Ano de lembranças,
1 Ano de vida a custo,
1 Ano de flores,
1 Ano de palavras mudas,
Ditas no silêncio,
Da sua memória.

“Na hora de pôr a mesa éramos cinco:
O meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs, e eu.
Depois, a minha irmã mais velha casou-se.
Depois, a minha irmã mais nova casou-se.
Depois, o meu pai morreu.

Hoje,
Na hora de pôr a mesa,
Somos cinco,
Menos a minha irmã mais velha,
Que está na casa dela,
Menos a minha irmã mais nova,
Que está na casa dela,
Menos o meu pai,
Menos a minha mãe viúva,
Cada um deles é um lugar vazio nesta mesa
Onde como sozinho,
Mas irão estar sempre aqui.

Na hora de por a mesa,
Seremos sempre cinco.
Enquanto um de nós estiver vivo,
Seremos sempre cinco.”
(autor desconhecido)

Que tenha encontrado a paz!

(à memória da minha Sogra)

terça-feira, março 06, 2007

Dentro de ti

Dentro de ti, ainda que nunca suspeitasses.
Também a terra acaba e o mar começa.
Estavas em poiso firme. Agora esbracejas, líquida.
Em ti, a terra também acaba e o mar começa.
É onde o diabo faz o ninho.

Rodrigo Guedes de Carvalho
in “Mulher em Branco”

segunda-feira, março 05, 2007

Curtas (8) - Busca

Em tempos que a memória não deixa precisar, viveu um homem, que por não ter a seu lado ninguém com quem a vida partilhar, se aventurou numa viagem sem data de regresso.

E assim, partindo pelo mundo, procurou em cada rua de cada cidade, esse alguém com quem pudesse partilhar a sua existência.

Á medida que ia progredindo no terreno, o cansaço ia-se apoderando cada vez mais dele. Mas o desejo de encontrar alguém era tão grande, que se sentia impelido a continuar sempre a caminhar cada vez mais e mais, mesmo sabendo que o caminho de volta era cada vez maior.

Pelo caminho, encontrou várias pessoas que, ao saberem do propósito da sua caminhada, se propuseram a ocupar aquele espaço que ele tinha disponível. Mas ao fim de algum tempo com elas, concluía que aquela ainda não seria a pessoa correcta com quem o fazer.

O tempo foi passando, o caminho aumentando e cada vez que parava a olhar para alguém, sentia que ainda não tinha estabelecido “aquele encontro”.

E o caminho foi de tal forma grande, que quando deu por si, estava novamente no ponto de partida. Ainda não refeito da surpresa que isso lhe causara, avistou ao longe a forma de um corpo que se aproximava de si, em passos rápidos e de forma decidida.

Era a Ana, sua amiga de longa data, que conhecera desde sempre. Mas que agora… estava diferente! Estava radiosa, estava incrivelmente agradável, até mesmo… “apetecível” para ele. Estivera assim tanto tempo fora? Teria ela mudado assim tanto durante a sua ausência?

Após um abraço sentido carregado de saudades e sentimentos bons, ela deu-lhe um beijo na cara, tal como sempre fazia quando se encontravam. Mas agora… esse beijo soube-lhe de forma diferente. Esse beijo, soube-lhe incrivelmente bem e naquele momento, ele soube, que havia corrido o mundo, para descobrir a pessoa incrível… que sempre estivera ao seu lado, mas que ele, nunca soubera ver.

A busca havia terminado. O espaço estava, definitiva e plenamente ocupado.

quinta-feira, março 01, 2007

Paradoxo do nosso tempo

O paradoxo do nosso tempo na História é:
Termos prédios mais altos, mas paciência mais curta;
Estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos;
Gastarmos mais, mas possuirmos menos;
Comprarmos mais, mas aproveitarmos menos;
Termos casas maiores e famílias menores;
Termos mais diplomas, mas menos razão;
Mais conhecimento, mas menos juízo;
Mais especialistas e ainda mais problemas;
Mais Medicina, mas menos bem-estar.

Nós bebemos demais,
Fumamos demais,
Gastamos demais,
Conduzimos rápido demais,
Ficamos acordados até mais tarde,
Acordamos muito cansados,
Lemos muito pouco,
Vemos TV demais.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.
Adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Conquistamos os espaços, mas poluímos a alma;
Escrevemos mais, mas aprendemos menos;
Planeamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar, não a esperar.
Nós construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas comunicamo-nos menos.

Estamos na era do homem grande de carácter pequeno.
Esta é a era de dois empregos e vários divórcios;
Casas chiques e lares despedaçados;
Esta é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis.
Um momento de muita coisa na montra e muito pouco na dispensa.

O segredo da vida não é ter tudo o que se quer,
Mas querer tudo o que se tem!


(autor anónimo)

PS: O Texto não é meu, tem "apenas uns retoques" pessoais.